Tava agora no FaceTime com a mamis explicando pra ela como funciona o processo de despertar, a tal iluminação. Craaaaro que estou reproduzindo o que aprendi com o Baba, Gautama, Osho bróder, Walsh, Tolle, monja Coen, Tenzin e outros queriduchos que me fazem companhia na troca cósmica de ideias… Porque ainda estou com um olho aberto e o outro fechado, tipo boneca quebrada, sabe como?!

O tal despertar é quando a gente enxerga que é dois. Isso simplificando bem a conversa, porque a gente é tipo uma multidão, uma torcida de futebol inteira. Bem desorganizada e briguenta, por sinal. Voltando à história do “dois”, a gente tem um Eu Superior (assista ao filme Eu Maior que é legal e fala um pouco disso) e tem um Eu Inferior. Esse Eu Inferior é meio que todo cagado, porque funciona na exata mesma energia do Eu Superior só que no pólo invertido (tipo bem x mal, Ruth x Raquel). Então se humildade é coisa do Eu Superior, orgulho é do Eu Inferior. Se temperança é do Eu Superior, a mesma energia invertida é a da gula e otras compulsõeszitas más. E essa lista continua infinitamente.

Quando a gente tá totalmente dormindo, com ‘os dois olhos fechados’, simplesmente não tem controle consciente das nossas ações. É como se a gente fosse um carro e o comando dele fosse revezado: às vezes quem dirige é o ciúme, depois a inveja, o cigarro, o café, a preguiça, a vítima, o agressor… MENOS POR NÓS, WTF! (porque a gente de verdade, a tal essência, é o Eu Superior).

Ei, tão reparando a insanidade disso? Quando a gente se dá conta, tipo abrindo um olho, a gente percebe que o nosso carro está cheio de doidos, cada um querendo ir para um lado e causando um sofrimento danado na gente e nos outros, porque é impossível se punir sem respingar nos outros.

Ok, Aline. Despertar então é expulsar todo mundo do carro?
Not so easy.

Despertar é (pelo o que me contaram de forma convincente e eu acreditei, porque ainda não cheguei lá) simplesmente assumir o comando do próprio veículo. Tá, não tão ‘simplesmente’. Porque ainda assim, de repente, aparece o passageiro medo, por exemplo, e ele te fala “vai pra aquele lado”. Só que aí você olha pra ele, escuta, mas escolhe não obedecer. Porque finalmente quem manda no seu carro é você. E aí o ‘iluminando’ vai fazendo isso sucessivamente, botando ordem na bagunça do carro, até que esses desdobramentos todos do Eu Inferior param de encher o saco dele.

Acho que entendi, Aline. E agora, por onde começo a abrir o olho?
A resposta escrevo em maiúsculo pra gravar bem, prepare-se: AUTOCONHECIMENTO. Olhar cacaca por cacaca.
Eitcha, que preguiça! Tem atalho?
NOPS, sorry. Terapia, coaching, meditação, autoinvestigação…

Ok, tô agora me conhecendo, olhei para os meus sentimentos negados, as lágrimas não derramadas, as palavras não ditas, o amor negado, curei a criança ferida… Pego automaticamente a direção do meu carrinho?
Tenho duas notícias pelo o que aprendi com o Baba: pode ser que sim e pode ser que não.

Credo, Aline! Por que ainda não?
Porque pode ser que a gente esteja viciado em sofrer?
Whaaaat?

Sim. Sabe tipo aquela história da mulher que apanha apanha apanha do marido e quer de todo jeito se livrar dele; aí ele é finalmente preso e ela quase morre de desespero e faz de tudo para soltá-lo? Tipo isso. A gente acaba, pelo tempo de uso e força do hábito de milênios e milênios de humanidade caduca, sentindo prazer em sofrer. É o que o Baba chama de ciclo do sadomasoquismo, que é um processo físico-químico mesmo (tipo meu vício por cafeína — aguardem que ainda vou escrever sobre a minha sofrência na experiência de 14 dias sem meu cafezinho, que me gera uma vontade de matar todo mundo; olha o tal Eu Inferior aí gritando).

Quando a gente se conhece e se dá conta da engrenagem sádica do prazer em sofrer, aí sim pode escolher (sim, é sempre uma escolha) se desidentificar da história que a gente conta pra gente de quem a gente é e parar de fazer o que não está dando certo.

Parece fácil, mas nesse ponto, a sensação que vem é do tamanho do medo da morte. E é morte mesmo. Só que quem morre é essa esfera inferior de dor, não você você. Capiche? Aqui não podemos cair na principal estratégia do Eu Inferior que é: te fazer acreditar que as coisas que acontecem contigo não dependem de você. Momento para uma citação do Baba: “a autoresponsabilidade é a pedra fundamental que sustenta o templo da consciência”.

Dói, Aline?
Dói que é o cão! Mas sem a menor sombra de dúvidas a dormência da depressão e da ansiedade doem infinitamente mais, só que tendemos a anestesiar o sofrimento com as compulsões nossas do dia-a-dia. Ou os remedinhos. Aí nos culpamos e retroalimentamos o tal do ciclo sadomasoquista, nos punindo mais e, consequentemente, machucando todos os outros ao redor. Credo.

Viu que inhaca? Bora acordar?
Se tiver coragem de começar ou continuar, assim como eu, exercite a coerência entre pensamento, palavra e ação. Essa tríade é aquela parada que tenho tatuada no braço, que, basicamente, resume o caminho da iluminação: pensar bem, falar bem e agir bem. Aí, quem passa a mandar é o coração e o resultado é flow, alegria e mais flow.

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fullsizerender-23Tenho tanta tanta tanta coisa bacana para escrever que me peguei no bloqueio de não saber por onde começar. Tava bem mais para dentro que pra fora esses dias e deixei acumular muitos satsangs, novidades e sincronicidades sem compartilhar por aqui. Aí decidi vir agora à noite para o ‘meu’ escritório aqui em Rishikesh. Essa foto é de agorinha, à meia luz de mais de meia noite.

… Pausa para uma observação importante: Na boa, achava que vinha pra umas férias e aconteceu o oposto. Há muito tempo que não trabalhava tanto na vida, tá óótemo! A agenda aqui funciona de domingo a domingo. Acordo cedinho, me alimento, me exercito e venho para o Welcome Center, que fica a um lance de escada do meu quarto, no rooftop do hotel onde estou hospedada (gracias, flow). Saio para o Ashram no meio da manhã, faço as boas vindas e os anúncios ao público antes de o Prem Baba começar a fala dele. Almoço perto de 14h e à tarde tenho feito gravações da comunicação global do Baba (óia que chique). Acabou? Nahīmn! À noite tenho aulas de hindi. Já consigo até captar pedaços de conversas no ar. Fim da pausa …

Voltemos ao meu escritório nesta noite para tentar escrever alguma coisa… Estava relendo as anotações do satsang. Pensei: vou escrever sobre a não violência do feminino e do masculino, que é a chave para resolver os relacionamentos todos. Ou sobre como aquietar os pensamentos de forma imediata. Ou sobre a anatomia sutil que rege as doenças psicológicas e físicas. Ou sobre a causa raíz da depressão e da ansiedade e como se reencaixar dentro da gente. Ou sobre como encontrar o propósito da vida e acordar feliz pra ir trabalhar. Ou sobre como dominar uma compulsão. Ou sobre permanência e impermanência, que é o que faz a gente ficar identificado com o ego e não com a essência. Ou sobre como prender nosso próprio desenvolvimento é absurdamente mais trabalhoso do que simplesmente soltá-lo…

Tão percebendo como tem sido do grande car**** essa minha vivência aqui? São anos e anos do mais refinado aprendizado em alguns meses. Bão dimais da conta, sô!

Aline, volta ao escritório!
Ok.

Enquanto relia as anotações, um barulho na porta de vidro. Uma mulher. Eu, de longe, desde a minha mesa, fiz uma cara feia e um gesto querendo dizer: “pô, tá fechado. Só abre amanhã cedo. Não enche”. A mulher não me enxergava bem do lado de fora e tentou abrir a porta. Tava com cadeado. Levantei. Saco! Eram duas mulheres, queriam falar com alguém da organização. Percebi que algo não estava bem. Abro a porta e descubro que as duas haviam chegado hoje à Índia, uma delas entrou em crise de pânico. A amiga que estava bem sugeriu à outra que falasse com alguém daqui antes de remarcar a passagem de volta para amanhã. Aí eu chego na história.

A moça que não estava bem entra, tranco a porta novamente (porque há macacos do djanho aqui que invadem os ambientes — sério mesmo). Pergunto o que está acontecendo. A resposta vem num combo: relacionamento com o namorado, propósito de trabalho, transtorno de ansiedade, sensação de desencaixe, mente agitada, remédio tarja preta… Resumo da história em uma palavra: medo.

Conversamos. Falei da minha chegada, da tensão que senti ao andar nas ruas em Déli, dos dez dias em que meu intestino não funcionou (ayurveda, gracias por existir), dos mitos sobre a Índia, de onde comer pizza por aqui, da sujeira, das buzinas, das belezas, do primeiro dia estranhíssimo da minha experiência sem café (vai ter um post especial sobre isso. ah vai); ela relatou a forma mirabolante que veio parar aqui e contou um pouco do processo dela.

Pedi permissão e fiz uma aplicação de reiki. Senti que ali tinha uma força extraordinária desabrochando… Em alguns minutos, estava eu no quarto dela, levando um chá forte de camomila com mel, uma banana, um abraço apertado e um até amanhã.

Experienciei num instante tudo o que havia acabado de estudar: a paz de quem conseguiu sair do amanhã para vir para o agora, de quem saiu da identificação da impermanente “nuvem” e se lembrou que era o “céu”, de quem sentiu que deixar livre é infinitamente menos trabalhoso do que prender, de quem se deu conta de que quando as coisas não estão indo bem o que se tem que fazer é: “nada!”.

Parar, respirar, observar que parte da gente é que está esperneando e por que; rir das cagadas (ou da falta delas), pedir ajuda, tomar um chá com mel, um banho quente, ouvir música, cantar. Sentir o amor em movimento. Às vezes, pelas mãos de uma pessoa ainda totalmente desconhecida.

Posso dizer… ao abrir a porta e o coração, quem foi inundada de amor fui eu. 

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O satsang de hoje foi sobre amor e liberdade, tema do penúltimo livro do Prem Baba. Ele foi indagado sobre uma frase dele que é fácil de entender, mas difícil de aplicar: “amar é deixar o outro livre, inclusive para não te amar”. Oh god.
 
Vamos lá que vou tentar passar adiante o que compreendi da mensagem dele e que, há tempos, acredito ser bastante pertinente. Se a vida é uma escola, os relacionamentos são a universidade. Neles é que encontramos maturidade para aprender sobre os mistérios da vida.
 
O problema é que quando nos relacionamos temos a tendência, mesmo que inconsciente, de tentar controlar o outro, de fazê-lo pensar como a gente, de esperar que ele atenda às nossas expectativas… resumindo, temos a ilusão de que é possível fazer algo para que o outro nos ame.
Dependendo dos referenciais que tivemos (na infância, nas experiências passadas etc), podemos adotar diferentes estratégias para isso. Se aprendemos que conseguiremos amor sendo vítimas, ou seja, nos rastejando, nos colocando como dependentes do outro, agindo como se sem o outro não existisse vida…, nos especializamos nessa habilidade. Se aprendemos que o melhor é sermos distantes, indiferentes, controladores… nos tornamos experts nisso e passamos a vida agindo assim. Esses são apenas dois exemplos das inúmeras estratégias de sedução que existem; estratégias para buscar controlar o que o outro sente por nós.
 
A grande maluquice disso tudo é que esse outro na verdade não existe.
WTF, Aline?!?
Calma, explico.
 
1. Existe o outro.
2. Existe a imagem que construímos do outro.
Sem muito autotrabalho, enxergamos e nos relacionamos apenas com o aspecto número 2.
 
Enxergamos o outro a partir da imagem que atribuímos a ele. Essa imagem é uma projeção da nossa mente. Ou seja, a pessoa que idealizamos foi criada por nós mesmos. Essa ilusão é fruto da nossa carência afetiva e, inevitavelmente, gera sofrimento porque com certeza absoluta as nossas expectativas não serão atendidas.
 
A tendência que temos é de nos conectamos com pessoas que representam a parte ferida de nós mesmos. Elas nos mostram o que dentro da gente ainda é preciso ser trabalhado; os padrões que repetimos, os vícios que carregamos etc. Nessa lógica, se eu, por exemplo, tenho a expectativa num relacionamento de proteger alguém, quem será na verdade que estou tentando proteger?
 
Vamos supor que nessa altura você esteja pensando:
Eita, Aline. Esse texto tá complicado… Mas vamos supor que eu tenha entendido alguma coisa, tipo que o outro é uma projeção de um eu ferido que eu estou tentando salvar e tal, aí crio expectativas em cima dessa pessoa, cobro o amor dela, prendo ela no pé da cama, sinto ciúmes, quero que ela aja conforme minhas expectativas… O que é que eu faço com toda essa M???
 
Tenho duas notícias em relação a isso, uma boa e uma ruim. A ruim é que é bastante trabalhoso mesmo romper com padrões destrutivos como esses. A boa é que sim é possível cessar com esse ciclo vicioso. Terapia, coaching, auto-observação certamente podem ajudar.
 
O importante nesse trabalho é enxergar qual parte de você está tão desesperadamente querendo salvar o outro. E se esse outro é uma manifestação de uma projeção sua, que parte é essa em você que foi esquecida e que precisa de uma outra pessoa para se completar? Isso é muito importante.
 
Quando tomamos consciência dessas partes negadas de nós, temos a oportunidade de nos reintegrarmos, de sermos um novamente; indivisíveis. Ao sustentarmos a presença nisso, não temos mais a necessidade de escravizar o outro, porque já nos sentimos completos.
 
Assim, tomamos consciência de que um relacionamento é o exato reflexo da natureza: podemos plantar uma semente, cuidar, amar, regar, mas não podemos forçar o florescimento. E, caso a semente resolva não florescer, não há nada que possamos fazer a respeito, apenas aceitar.
 
A grande beleza disso tudo é que quando aceitamos o outro como um ser livre, na verdade, nós é que nos tornamos livres.
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fullsizerender-22Começaram hoje os satsangs do Prem Baba na Índia.
Começaram o quê, Aline?!?

fullsizerender-18Prem Baba é um brasileiro, discípulo de um guru indiano, o Maharaj. Baba tem estimulado pessoas do mundo todo a buscarem o que ele chama de caminho do coração: o despertar do amor a partir da cura das feridas emocionais. Quando eu digo mundo todo, é mundo todo mesmo. Como meu trabalho por aqui tem sido receber quem chega no Welcome Center, posso citar pelo menos 25 países diferentes representados nos dois primeiros dias de inscrição para a temporada dele aqui, que termina apenas no fim de março. Depois disso, ele viaja o mundo fazendo os tais satsangs — encontros com a verdade, em sânscrito — que são palestras envoltas em meditação, música e contemplação.

Por que acompanho o trabalho do Baba e por que decidi passar esse tempo com ele na Índia?
Eu não sigo nenhuma religião, apesar de estudar com gosto muitas delas e admirar algumas. Não vejo A verdade num lugar só e a mistureba faz parte da minha vida: carrego comigo cristais, um arcanjo Miguel, uma japamala birmanesa, tenho um Buda em casa, plantas de limpeza, baguá do feng shui, patuás amazônicos, andinos, indianos, tailandeses, africanos, japoneses, assim como vinhos e cafés igualmente venerados, já que para mim essas bebidas são a felicidade em estado líquido. Bueno, ainda não respondi à minha própria pergunta. Por que o Baba?

fullsizerender-20Respondo contando um pouco do satsang de hoje: Um guru brasileiro, psicólogo, respeitado na Índia, que abre os trabalhos com músicas da Umbanda em homenagem a Iemanjá (hoje é o dia dela), e fala das coisas mais pesadas das nossas vidas arrancando risadas de todos. Ah… e descobri algo importantíssimo sobre ele outro dia: ele bebe café.

O que mais gosto é da simplicidade da mensagem: a resposta é o amor. E amor é o que a gente é, não tem nada fora, tá tudo dentro.

Ótimo, Aline… que legal, mas como fazemos para parar de sofrer e ter uma vida de amor, sendo que há contas a pagar e todas as preocupações cotidianas?
Segundo o Baba, o caminho do amor não é todo florido. Para despertarmos o amor que somos, temos que ser corajosos o bastante para desaprendermos a odiar. Ter coragem de olhar nossos medos, nossos traumas e ir limpando um a um. Perdoar e agradecer pelo aprendizado de cada obstáculo. Perdoar e agradecer todos que nos causaram dor (ôiés). Perdoar e agradecer a nós mesmos pelas cacacas e pela rota que nos trouxe até aqui. A chave desse trabalho está no cultivo do silêncio, na meditação.

Quando trilhamos isso, paramos de nos sabotar (sim, inconsciente, travamos sadicamente as nossas vidas) e ativamos a lei do mínimo esforço, que eu gosto de chamar de flow (meu único deus). As coisas vêm de forma fácil, nos sentimos no lugar certo, com as pessoas certas, fazendo a coisa certa e do jeito certo. Aí vem grana, vem amor, vem felicidade, vem tudo de bom.

Aline, você já tem tudo isso? Ainda não. Tenho bastante trabalho a fazer. Mas (por mais pretenso que isso possa parecer a alguns) não estou longe não.

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